Milhões de pessoas que vivem com peso em excesso (pré-obesidade e obesidade) enfrentam, todos os dias, algo que vai além da doença: o estigma, o preconceito e a incompreensão.
A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, não é reflexo de falhas pessoais. Acreditamos que a linguagem transforma perceções e perceções transformam vidas. Por isso, defendemos uma comunicação rigorosa, inclusiva e cuidada, que coloque sempre a pessoa em primeiro lugar, porque todos merecem compreensão, respeito e empatia.
Este movimento nasce para promover uma mudança social da narrativa, que contribua para eliminar preconceitos e estereótipos.
O peso em excesso (pré-obesidade e obesidade) é uma condição com prevalência crescente a nível mundial nas últimas décadas1,. Dados recentes indicam que cerca de 1.000 milhões de pessoas vivem com obesidade1. Entre 1990 e 2021/2022: o número de adultos com obesidade aumentou de aproximadamente 684 milhões para 878 milhões1; o número de crianças e adolescentes (entre os 5 e 19 anos) com obesidade aumentou de cerca de 127,9 milhões para 159,3 milhões1. Durante este período, particularmente na faixa etária entre os 5 e 14 anos de idade, observou-se uma triplicação da prevalência de obesidade2. As estimativas indicam que, entre 2022 e 2050, na população global, continuará a verificar-se um aumento substancial dos números absolutos da obesidade2.
Em Portugal, segundo dados do Eurostat de 2025, a pré-obesidade tem uma prevalência na população adulta de 38,2% e a obesidade de 17%3. Particularmente na população adulta masculina, verifica-se uma prevalência de pré-obesidade de 50,3% na faixa etária entre os 65 e 74 anos e uma prevalência de obesidade que atinge 21,5% entre os 50 e 64 anos3. Relativamente à população pediátrica nacional, dados de 2022 indicam uma prevalência combinada de pré-obesidade e obesidade de 31,9% e uma prevalência de obesidade de 13,5%, em crianças com idade compreendida entre os 7 e 9 anos4.
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Nina H. Niestroj, NHS Photodesign
Para além das repercussões fisiopatológicas e clínicas, as pessoas que vivem com peso em excesso enfrentam narrativas culturais e representações estereotipadas em diversas áreas da sociedade, do entretenimento a meios de comunicação que alimentam atitudes discriminatórias e estigmatizantes5,6,7. Este estigma traduz-se numa desvalorização dos complexos determinantes biopsicossociais que podem influenciar o peso corporal e na culpabilização individual, baseada em julgamentos morais relativos ao carácter pessoal e estilo de vida das pessoas que vivem com excesso de peso ou obesidade5,8.
As implicações subjacentes para o indivíduo e para a sociedade são numerosas6,9,10. O estigma relacionado com o peso é um fator de risco individual para respostas biológicas, psicológicas e comportamentais adversas6,9,10. Reflete-se também no âmbito da saúde pública, no contexto laboral e na sociedade em geral, podendo contribuir para disparidades nos cuidados de saúde e exacerbar desigualdades sociais6,9,10.
A comunicação verbal e não-verbal dos profissionais de saúde, a par da linguagem e imagens usadas na comunicação científica, mediática e governamental desempenham um papel fundamental no âmbito da perpetuação de atitudes discriminatórias e estigmatizantes5,6,8,10,11,12,13,14.
O estigma relacionado com o peso está firmemente alicerçado na sociedade5,6. Estes preconceitos, opiniões e narrativas enraizadas só podem ser debelados e revertidos através de esforços concertados de instituições académicas, profissionais de saúde, entidades governamentais e media5,6. Os media desempenham um papel fundamental para esta sensibilização e para a mudança das perceções e narrativas sociais associadas à obesidade6,12.
A linguagem e as imagens usadas pelos meios de comunicação para retratar as pessoas que vivem com obesidade são amplamente difundidas e exercem influência sobre a forma como a opinião pública é moldada e evolui12,14,15. Deste modo, diversas sociedades e organizações científicas têm desenvolvido recomendações que visam promover uma abordagem humanista, consistente com a evidência científica acumulada5,6,8,10,11,12,13.
As pessoas que vivem com pré-obesidade ou obesidade merecem ser tratadas com respeito e dignidade, sendo importante que agentes de comunicação estejam cientes de que a linguagem importa e que uma adequada sensibilização contribui para que preconceitos e estereótipos deixem de ser perpetuados5,6,8,10,14,16.
Como conceito geral, a linguagem adotada deverá ser centrada na pessoa, isenta de juízos críticos, atribuições de culpa, rótulos e simplificações5,6,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18:
A obesidade é uma doença crónica complexa, agravada pelo estigma social e pelo preconceito. Para saber mais sobre a obesidade consulte www.averdadesobreopeso.pt.